terça-feira, 22 de setembro de 2020

A Ressurreição de Lázaro (Uma confissão de fé)

 


O segundo relato é narrado em João 11.1-47. Lázaro, irmão de Marta e Maria, ficou gravemente enfermo e as duas irmãs enviaram uma mensagem a Jesus para que fosse a Betânia, a fim de curá-lo. Cristo então declarou que a enfermidade de Lázaro era “para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja por ela glorificado” (v.4)

2) Uma confissão de fé

Encontramos no capítulo 11 do evangelho de João o relato surpreendente de mais um milagre realizado por Jesus, essa narrativa trás vários desdobramentos, assim como ensinos profundos a respeito da pessoa e do caráter de Jesus. Vamos ao texto da narrativa:

1. Ora, estava enfermo um homem chamado Lázaro, de Betânia, aldeia de Maria e de sua irmã Marta

2. E Maria, cujo irmão Lázaro se achava enfermo, era a mesma que ungiu o Senhor com bálsamo, e lhe enxugou os pés com os seus cabelos

3. Mandaram, pois, as irmãs dizer a Jesus: Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas.

4. Jesus, porém, ao ouvir isto, disse: Esta enfermidade não é para a morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela

5. Ora, Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro

6. Quando, pois, ouviu que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde se achava.

 

É certo que Marta e Maria viviam naquele momento um drama familiar, a gravidade da doença de Lázaro, as impulsionaram a recorrerem a Jesus. Pela conhecida declaração que farão posteriormente a seu Mestre (se o Senhor estivesse aqui...), é evidente que havia chegado ao ponto de perderem as esperanças na restauração da saúde de seu irmão apenas com a utilização de recursos próprios. Jesus era a única esperança para impedir o inevitável. A mensagem das irmãs era uma súplica por socorro, em suas palavras elas apelam ao conhecido afeto que Jesus tinha por seu irmão “aquele que tu amas”. Sim, a presença de Jesus era urgente! O que as irmãs esperavam do Senhor, era que Este atendesse imediatamente seus apelos, para que o milagre por elas aguardado acontecesse. Porém, não era este o plano de Deus. Não era o caminho por elas traçado em suas mentes, que o Senhor seguiria.

Quantas vezes nós mesmos traçamos as soluções, determinamos o caminho, estabelecemos o agir de Deus, mas os meios que o Senhor agi é infinitamente melhor, o caminho por Ele traçado é perfeito, Ele é o Deus Soberano. “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos que os vossos pensamentos.” (Isaías 55: 8,9).

O homem preso as suas limitações, não compreende os Seus caminhos, e muitas vezes com sua confiança oscilante sofre os altos e baixos na sua caminhada cristã. “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Salmo 42.5).  São em circunstâncias de aflições que nossas emoções são inundadas pela ansiedade, e que somos assombrados pelo medo. É imprescindível que compreendamos que o único e eficaz modo pelo qual encontraremos passos firmes e seguros está na Sua Palavra, ela nos revela Seu amor, Seu caráter. Quanto mais conhecemos de Deus, mais fé fluirá. O Espírito Santo trabalhará em nossa mente e em nossos corações 💕, apenas com aquilo que Ele encontrar, como pois poderá ser produzido fé se estivermos vazios de sua Palavra?

 Naquele momento as irmãs, tomadas pela incerteza dos acontecimentos futuro, apenas esperavam uma única coisa, a chegada de Jesus.  Porém, ao contrário daquilo que elas desejavam “... Quando, pois, ouviu que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde se achava”. Jesus estava a pelo menos quarenta quilômetros de distância do seu amigo, mediante a gravidade da doença de Lázaro, aquilo que se esperava de um amigo seria a imediata e resoluta interrupção de seu trajeto, para ir em socorro de seu amigo e atender o apelo angustiante de suas irmãs, mas o que elas não sabiam é que nos planos de Deus o milagre a ser realizado era muito maior do que a cura de uma doença.

Devemos nos submeter, sem reservas, a vontade de Deus, mesmo que não tenhamos respostas aos nossos porquês, e que não consigamos ver os benefícios, mas pelo contrário, tudo pareça desfavorável, façamos a oração de Habacuque “... Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; e o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimentos... todavia eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação...” (Hb 3. 17,18).  Somente o Espírito Santo pode produzir em nossas vidas tal fé. Que o Senhor trabalhe em nós!

Jesus faz uma revelação surpreendente: Esta enfermidade não é para a morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela” nesta afirmação Jesus não está negando a possibilidade da morte de Lázaro, mas isto significaria que este não permaneceria morto. O Senhor mostra aqui que os milagres que Ele realizou em seu ministério terreno, não foram apenas para o alívio dos sofrimentos, mas eram, em primeiro plano, para a manifestação de sua Glória. Deus encarnou, para  manifestar-se aos homens perdidos, “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como unigênito do Pai” (João 1:14).

 O Senhor ao revelar-se a nós, não revelou apenas o homem perfeito, mas revelou o próprio Deus, e ao nos dar isso ele nos dá aquilo que sacia a nossa alma por completo, porque conhecer e glorificar a Deus é a razão de nossa existência, a razão pela qual cada um de nós fomos criados. A sua glória deve ser manifestada para que, assim, o glorifiquemos e nos alegremos Nele. “ Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11.36). Portanto, quando Jesus nos leva a situações confortáveis e desconfortáveis para se revelar a nós Ele é misericordioso, Ele é amor.

 Àqueles que não cumprem o propósito de sua existência vivem uma vida vazia, e para preencher esse profundo vazio vivem uma idolatria cega, substituindo Deus pelo próprio “eu”, adoram a si mesmos, seus objetivos são a sua própria satisfação pessoal. A busca pelo prazer individual como meio de satisfazer seu vazio, não tem limites, pois é impossível alcançar a completude de sua satisfação longe de Deus.

“Mas sabemos que o homem rejeita Deus porque prefere manter a própria imagem, como está escrito no primeiro capítulo do evangelho de João: Os homens amaram mais as trevas do que a Luz, porque suas obras eram más, (João 2.19). Contra todas as evidências exteriores e interiores, o homem quer acreditar que é bom e não quer que seja exposto sua maldade, a sua condição de pecador. Então, foge de Deus para manter essa ilusão e continua pecando, até a própria destruição” (Norma Braga)

Passados os dois dias Jesus propôs, para espanto dos discípulos, que voltassem para Judéia. Para estes era difícil compreenderem o repentino desejo de Jesus em retornar a uma região que recentemente havia sofrido uma tentativa de apedrejamento. Porém nos versos 11, 13 e 14 o Senhor revela o propósito de seu retorno à Judéia  “Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou para desperta-lo” Segue-se um diálogo entre Jesus e os Discípulos, estes não conseguem compreender o propósito de seu mestre, apesar de Jesus revelar o estado em que se encontrava Lázaro, apesar destes já terem presenciado os mais diversos milagres, inclusive outras duas ressurreições realizadas pelo Senhor, sendo elas: a filha de Jairo (Marcos 5:22-42) e o filho da viúva de Naim (Lucas 7:11-18).

Muitas eram as razões para a ocorrência do evento que se seguiria. O ministério terreno de Jesus estava bem próximo de encerra-se, o privilégio que seus discípulos desfrutavam da presença física de seu Mestre estava findando. Cada acontecimento tinha um propósito didático, para aqueles que o Bom Mestre havia escolhido para sua instrução pessoal, para uma intimidade mais efetiva “Ora, ali estava reclinado junto ao peito de Jesus um de seus discípulos, aquele a quem Jesus amava...” (João 13. 23) tal quadro aqui descrito não mais ocorreria, pois breve seu mestre seria preso e crucificado. Fazia-se necessário, quando estava tão próximo deste evento, o Senhor trazer mais um precioso e extraordinário ensino a seu respeito, àqueles que seriam os portadores de suas Palavras e testemunhas de seus feitos, portanto, os responsáveis para dar continuidade ao ministério de seu Mestre. Daí a declaração de Jesus: “Lázaro morreu; e por causa de vocês, para que possam crer, eu me alegro de não estar lá, para que creiam; vamos, porém, ter com ele” (vs 14 e 15)

Quando Jesus se aproximou da aldeia em que Marta e Maria moravam, Marta foi logo ao encontro dele, enquanto Maria ficou em casa.  Temos aqui um mero relance da diferença de temperamento das duas irmãs, lembrando a passagem bíblica de Lucas 10: 38-42, da agitada Marta e da contemplativa Maria. Marta não esperou Jesus chegar ao lugar enlutado, mas apressou-se em ir ter com seu Senhor, não podemos saber o que sucedia em seu íntimo, mas diante dos acontecimentos, sabemos que havia profunda tristeza e pesar no coração enlutado das irmãs, é fácil perceber isso nas palavras que Marta proferiu a Jesus, era perfeitamente compreensível que devido sua limitada natureza humana travasse uma luta, na qual a angústia que lhe abatia pela perda inesperada de seu amado irmão a deixava tombar entre lados opostos, ora por declarações de fé, e ora por palavras inseguras e de curta visão. Vamos olhar de perto os versos a seguir. 

21. Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.

22. Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá

23. Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar.

24. Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia.

25. Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;

26. E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?

27. Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo. (João 11:21-27)

 

 Ao avistar Jesus Marta disse a conhecida frase que também seria dito posteriormente por sua irmã: “Senhor, se tu estivesse aqui, meu irmão não teria morrido” (Jo 11:21,32). Não se trata aqui de palavras de censura, pelo fato de Jesus ter demorado ainda dois dias, mesmo porque, era humanamente impossível, Jesus ter chegado antes da morte de Lázaro, não havia amargura, mas sim profunda tristeza, tal expressão soou como um gemido de lamento. Marta, assim como Maria criam que Jesus tinha poder para curar seu irmão. Ela não só acreditava nessa possibilidade, mas declarou de que também teria poder para fazer algo naquele momento, pelo menos é isso que dar a entender no verso que se segue: “Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Ele te concederá”. Havia uma luz de esperança na sua declaração. Poderia o Senhor ainda fazer algo? Sim, ela acreditava. Porém nas suas palavras posteriores, essa esperança é obscurecida novamente, se observa isso quando ela diz: “... Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia.” Essas palavras foram ditas após Jesus declarar-lhe o que haveria de acontecer: “Teu irmão há de ressuscitar.”

É importante esclarecer que a crença na ressurreição era aceito pela maioria dos judeus, principalmente pela influência do ensino dos fariseus, portanto, era comum utilizar-se desta crença como uma palavra convencional de conforto e esperança para os enlutados. A resposta de Marta, mostra não só que ela tinha a crença comum na ressurreição, mas que aquela luz de esperança, havia enfraquecido. É interessante, vermos sua reação diante do sofrimento e enxergarmos nossa própria natureza, nossa fragilidade humana diante das adversidades. De como facilmente somos abatidos quando nuvens de tempestades nos cercam. Lembremo-nos dos discípulos quando foram pegos por uma grande tempestade, embora Jesus estivesse presente no barco, estes dominados pelo medo, suplicaram por socorro (Mt 8. 25). Embora Jesus havia revelado a Marta o que Ele faria naquele dia, esta afastou de si esta esperança. Temos o péssimo hábito de tender a pensar no pior, olharmos nas circunstâncias da vida apenas para os aspectos negativos. Somos absolutamente incapazes de produzirmos fé em nós mesmos, sem Ele nada somos, nada podemos Ef. 2.8; Jd v3; devemos olhar para as circunstâncias da vida como providência Divina, acreditando que a mão de Deus está por trás de cada evento. E se o medo e a insegurança querer nos dominar, supliquemos à Jesus tal qual fez o pai do jovem lunático: “Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade" (Mc 9. 24).

Temos nos versos 25 e 26 o tema principal deste evento. Assim como a cegueira do cego de nascença, que viveu na escuridão até o dia em que encontrou a Cristo,  servia para que a glória de Deus fosse revelada através da sua cura, revelando Jesus como Luz do mundo (Jo 9,3-5). Ou em Cafarnaum depois de ter alimentado uma multidão, Jesus não somente dá o pão do céu Ele mesmo é o pão vivo (Jo. 6: 27-35). A morte de Lázaro serviria para revelar Jesus como Ressurreição e Vida. Mostrar a identidade Divina, revelar sua grandeza, ou ainda dar uma percepção de sua glória, este era o propósito do trágico evento.           Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?”. As duas palavras ressurreição e vida, assim como as duas afirmações: “ainda que esteja morto, viverá” e “...todo aquele que vive...”, apesar de paralelas, não são sinônimas, a primeira afirmação refere-se a expressão “ressurreição” e a segunda afirmação esclarece a segunda expressão “vida”.

Vamos analisar a primeira afirmação, “quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá”. Esta promessa é para aqueles que creram em Jesus e passaram pela morte física. Isto é mais do que um anúncio da ressurreição geral do último dia; é uma previsão da ressurreição do próprio Jesus e a certeza de que aqueles que nele creem, estando unidos a ele pela fé, participarão da sua vida ressurreta. Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo as primícias dentre aqueles que dormiram. Visto que a morte veio por meio de um só homem, também a ressurreição dos mortos veio por meio de um só homem .Pois da mesma forma como em Adão todos morrem, em Cristo todos serão vivificados” (1 Coríntios 15:20-22).

Essa é a esperança de todo crente, que no último dia todos aqueles que morreram crendo nessa promessa, ressuscitarão. “ Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele. Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.” (1 Tessalonicenses 4: 14- 16)

Na segunda afirmação, o crente é retratado da forma como ele vive aqui na terra, ou seja, antes da morte. Lemos: “e todo o que vive...” espiritualmente falando, seriam aqueles que morreram para o mundo e vivem em uma nova vida, não fazendo mais a vontade da carne, mais são livres para fazer a vontade daquele que os resgatou da escravidão do pecado “...e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gálatas 2:20) “...e crê em mim...” refere-se a uma fé contínua, ou seja, acredita permanentemente nesta verdade. A consequência desta crença será “...nunca morrerá”, isso significa que nunca provará morte eterna, ou seja, o crente nunca será separado da presença do Deus de amor. Viverá numa união eterna com Deus, numa aliança inquebrável. “Até mesmo a morte física fracassa em extinguir a vida real do crente; ao contrário, essa morte é lucro, pois ela o introduz no gozo completo da vida” (William Hendriksen).

 Assim sendo, a fé em Jesus Cristo nos faz vencer a morte, pois ganhamos com a fé a vida eterna, e esta não tem mais nenhum poder sobre o crente, pois, agora, sua vida está escondida com Cristo em Deus (Cl 3.1). Na sua pessoa a vida e a volta a vida estão presentes. Portanto, Ele é a ressurreição dos mortos e a vida dos vivos. Você crer nisso? Essa foi a pergunta que Jesus fez a Marta e ainda soa esta mesma pergunta a nós cristãos que vivemos neste presente século. Se de fato acreditamos nestas verdades, a aceitação dele como fonte da verdadeira vida espiritual, nos conduz a uma união vital com ele, de modo a vivermos com a vida de Cristo e possuirmos uma vida sobre a qual a morte não tem poder. Se de fato crês nisso, não tem do que temer!

Os crentes dos primeiros séculos da era cristã, enfrentaram a morte com serenidade. Foram 300 anos de perseguição a todos aqueles que professavam sua fé em Jesus Cristo, estes foram submetidos a torturas, foram queimados vivos ou mortos nas arenas romanas entregues às feras. Mas, estes não só compreenderam essa verdade, como ela se tornou sólida e vívida em suas vidas. Viveram suas vidas aqui na terra olhando para o céu, desejando sua verdadeira vida na eternidade. Muito temos que aprender com os primeiros cristãos, acredito que o maior impedimento para uma compreensão real de que Jesus não só nos dá a vida Ele próprio é a vida, seja o apego a esta vida terrena e a tudo que ela oferece. Quantos acreditam de fato como Paulo que morrer é lucro? “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fl1.21). Que o Espírito Santo nos dê a compreensão espiritual destas verdades.

Após Jesus revelar sua natureza divina, o Eu Sou a ressurreição e a vida. Marta faz uma surpreendente declaração registrada no verso 27 deste capítulo.  “Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo”. A confissão de Marta torna-se ainda mais bela, dada à circunstância tão penosa em que esta encontrava-se. Marta como seguidora de Jesus, havia escutado do próprio Jesus declarações de quem Ele era, ela não só confessou acreditar ser Ele a Ressurreição e a vida, como confessou ser Ele o Messias, o filho de Deus. Muitos outros como Marta, também ouviram as declarações de Jesus a respeito de sua pessoa, mas o rejeitaram, assim como muitos ainda hoje rejeitam ao verbo vivo, ao Deus encarnado. Tal qual Marta, precisamos declarar com nossa boca nossa crença, nossa fé. Ainda que isto seja contrário a crença da maioria e vá de encontro aos pensamentos filosóficos que conduzem a cultura dominante da sociedade. O Senhor nos chamou para sermos luz neste mundo de trevas, para sermos sal numa sociedade estragada pelo pecado. Como faremos a diferença se não declararmos em palavras ou demonstrarmos com nossas atitudes a verdade que nos libertou. Precisamos evidenciar Jesus em nossa vida, falar a respeito Dele e de sua obra expiatória.

 Na narrativa de João ele trás outras confissões que antecederam esta feita por Marta. Como a de João Batista, quando ele diz “Vejam o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo. 1.29). De André no verso 41 que afirma “Encontramos o Messias” e ainda no mesmo capítulo temos as declarações de Filipe “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas”; de Natanael “Rabi, tu és o filho de Deus, tu és o Rei de Israel” nos versos 45 e 49. Temos ainda a belíssima declaração de Pedro no capítulo 6 e versos 68 e 69 “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e temos crido e sabemos que tu és o Santo de Deus”. Estes confessaram sua fé e viveram de acordo com suas confissões, suas obras ainda hoje testificam Daquele a qual eles creram e por quem viveram e morreram. Que o Senhor faça de nós suas testemunhas, levando a mensagem que liberta aos que se encontram acorrentados pelo pecado.

Após a gloriosa confissão de Marta, esta retornou a sua casa onde se encontrava sua irmã Maria e em particular lhe disse: “O Mestre chegou e te chama”. O chamado de Jesus foi atendido imediatamente por Maria, que apressadamente foi ao encontro de seu Senhor, não deixando de chamar a atenção daqueles que lá se encontravam com o intuito de consolar as irmãs enlutadas, estes a acompanharam chegando com ela ao lugar onde se encontrava Jesus. Assim como sua irmã, Maria disse a Jesus “Senhor, se tu estivesse aqui, meu irmão não teria morrido”, mas ao que parece Maria era mais emotiva que sua irmã, pois sua declaração foi feita prostrada aos pés de Jesus, de acordo com o verso 35, Maria chorando, numa atitude de reverência e adoração se joga aos seus pés. É comovente pensar neste cenário, mesmo enlutada pela perda e tomada pelo sofrimento da separação, esta ainda encontrou razão para adorar à seu amado Senhor. Essa não foi e nem haveria de ser a única vez em que Maria estaria aos pés de Jesus, esta esteve a seus pés ansiando por ouvir suas Palavras de vida, quando este se hospedou na casa de sua  irmã, mesmo que tenha sofrido censura e repreensão, nada lhe afastou de seu Mestre e de sua Palavra. Agora sentindo o amargor do sofrimento que lhe abatia, foi aos pés de Jesus que esta buscou o consolo da sua alma em meio as lágrimas e adoração. E será ela a protagonista de uma da mais bela demonstração de adoração, devoção e gratidão registrada nos evangelhos de João, Marcos e Mateus, quando próximo a crucificação de Jesus, Maria irá ungir a Jesus e após derramar-lhe um vidro contendo precioso perfume, esta num ato de devoção, enxugará seus pés com os próprios cabelos. Temos três contextos diferentes com atitudes semelhantes, no primeiro episódio citado um ato de escolha e devoção, no segundo um ato de adoração mesmo no sofrimento e o terceiro um ato de amor e gratidão. Em todos os episódios descritos, Maria estava aos pés de Jesus, não se importou com as críticas e censuras daqueles que estavam ao seu redor, ela tão somente desejava está na presença daquele que amava, receber sua Palavra de vida, seu consolo e declarar publicamente seu amor e gratidão.

 “Jesus, vendo-a chorar, e bem assim os judeus que a acompanhavam, agitou-se no espírito e comoveu-se. E perguntou: Onde o sepultastes? Eles lhes responderam: Senhor, vem e vê! Jesus chorou.” (João 11:33-35)

            Temos aqui no evangelho de João uma descrição da reação de Jesus diante do quadro apresentado neste capítulo. Assim como a deidade de Jesus é revelada neste evento glorioso, sua humanidade também é apresentada, ou seja, aqui temos a glória de Deus revelada em Jesus através de um milagre e temos também o homem perfeito, que no corpo suportou o cansaço, a fome, o sofrimento e a dor, porém foi imaculado, tudo isso suportou na carne sem ter cometido pecado algum.  

No primeiro momento ao ver toda a situação, Jesus “agitou-se no espírito”. O significado literal do verbo agitou-se é “bufou-se de indignação”. Mas o que realmente causou a indignação de Jesus? Segundo a maioria dos comentaristas, toda a sua ira estava voltada para o pecado, afinal todo aquele panorama apresentado era em consequência do pecado. Foi por causa do pecado que a morte sobreveio à humanidade, assim como o sofrimento, a dor, as doenças e todas as demais mazelas humanas. Portanto, os danos do pecado podiam ser facilmente visto no choro de Maria e de seus amigos.

O segundo termo “comoveu-se” significa ficou conturbado, estremeceu, aqui indica que Jesus não só sentiu indignação pelo pecado como simpatia por aqueles que choravam. O verbo indica que era visível os sentimentos de Jesus, ele “estava tremendo”. Isto era tão certo que no verso 35 mostra que Jesus chorou, na tradução original “irrompeu em lágrimas”. Para alguns pode ser difícil imaginar tal cenário, por tratar-se de Jesus, aquele que é Deus, que sabia tudo o que sucederia, pois este por ser Deus é onisciente e onipotente. Mas, não podemos esquecer de sua humanidade, que apesar de ser apresentado no evangelho de João como o Verbo encarnado, e mesmo sabendo o que iria fazer, este poderia sentir tristeza e simpatia. Portanto, indignado com o pecado e com tudo aquilo que ele causou como o sofrimento e a dor e comovido pela tristeza daqueles ao seu redor, vendo o choro de Maria e daqueles que acompanhavam, disse o Senhor: “Onde vocês o sepultaram?”

Após ficar “conturbado” Jesus “irrompeu em lágrimas”. Verdadeiramente o Verbo eterno encarnou e compartilhou da sorte comum da humanidade, ele poderia condoer-se da fraqueza de seu povo, pois ele mesmo foi provado na escola do sofrimento. “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb 4.15). Na tradução da linguagem de hoje este versículo é traduzido do seguinte modo: “O nosso Grande Sacerdote não é como aqueles que não são capazes de compreender nossas fraquezas. Pelo contrário, temos um Grande Sacerdote que foi tentado do mesmo modo que nós, mas não pecou.”   As lágrimas de Jesus eram a expressão do seu amor por Lázaro, por suas irmãs e por aqueles que lá se achavam, que por conhecerem aquele que é Luz e vida, estavam nas trevas e mortos em seus delitos. Suas lágrimas eram de compaixão pura e santa daquele que é o Sumo Sacerdote. Suas lágrimas eram a demonstração de um amor inigualável, perfeito e incomensurável, que levou ao Deus homem a morte sacrificial, para que através de sua morte tivéssemos vida, ele derramou lágrimas para que as nossas fossem enxugadas (Ap 7.17)

38 Jesus, outra vez profundamente comovido, foi até o sepulcro. Era uma gruta com uma pedra colocada à entrada.

39 Tirem a pedra, disse ele. Disse Marta, irmã do morto: Senhor, ele já cheira mal, pois já faz quatro dias.

40 Disse-lhe Jesus: "Não lhe falei que, se você cresse, veria a glória de Deus?

41 Então tiraram a pedra. Jesus olhou para cima e disse: "Pai, eu te agradeço porque me ouviste.

42  Eu sabia que sempre me ouves, mas disse isso por causa do povo que está aqui, para que creia que tu me enviaste.

43  Depois de dizer isso, Jesus bradou em alta voz: "Lázaro, venha para fora!

44 O morto saiu, com as mãos e os pés envolvidos em faixas de linho, e o rosto envolto num pano.  Disse-lhes Jesus: "Tirem as faixas dele e deixem-no ir" (João 11:38-44)

   

Jesus ainda comovido com toda aquela situação se dirigiu para o lugar onde Lázaro havia sido sepultado, a sepultura era semelhante a uma caverna ou uma escavação feita na rocha e possuía uma pedra vedando sua entrada. E diante dos olhares curiosos daqueles que lá estavam, Jesus ordenou a remoção da Pedra. Esse pedido trouxe incômodo a sempre prática e preocupada Marta. De forma impulsiva ela expõe sua preocupação: “Senhor, ele já cheira mal, pois já faz quatro dias” A tão pouco tempo Marta havia feito uma declaração de fé a respeito da pessoa de Jesus, mas, agora por um breve momento ela oscila em sua fé, e ao invés de fixar seu olhar e seus pensamentos em Jesus, sua atenção vai para o irmão morto. Seu olhar foi para direção errada, não devemos olhar as circunstâncias, mas nosso olhar deve está na promessa e no autor da promessa. Jesus a trouxe de volta para si, quando lembrou-lhe da promessa que lhe havia feito: "Não lhe falei que, se você cresse, veria a glória de Deus?” Nele está a verdade, Ele é a verdade e a vida! Louvado seja o Bendito de Deus!  

Embora Jesus houvesse preparado aos discípulos, assim como as irmãs de Lázaro, para o milagroso evento que ocorreria, ainda assim, o surpreendente e extraordinário acontece. Após a remoção da pedra que vedava o túmulo, e uma oração simples de agradecimento feita por Jesus, este em alta voz chama o morto a vida. Lázaro ressurge de dentro da sombria caverna, ainda atado e preso em faixas de pano, e com um lenço em sua cabeça. Este tão glorioso acontecimento não só levou muitos a crerem em Jesus, mas também serve como alegoria para aquele grande dia, no qual aqueles que morreram em Cristo ouvirão o chamado vivificante e ressuscitarão, mas diferente de Lázaro que continuou sua vida mortal, os salvos receberão um corpo glorificado e numa vida ressurreta adentrarão as portas da eternidade e viverão ao lado de Jesus para sempre.

 Que o Senhor nos ajude a guardar todas as verdades reveladas neste texto, que estas verdades fiquem registradas em nossas mentes, que tenham  significado prático no nosso agir e jamais se aparte de nossos corações. Amém          


quarta-feira, 15 de julho de 2020

Marta e Maria: A melhor escolha



Marta e Maria
                Quem foram Marta e Maria? Os relatos dos evangelhos trazem dois eventos nos quais Marta teve envolvida, e, em três em que aparece a participação de Maria.  Apesar de aparecerem poucas vezes, estes eventos foram envoltos de grandes significados, deles podemos extrair verdades eternas a respeito do caráter do Deus Filho, assim como lições preciosas para a vida cristã. Poderia até afirmar que, ser mencionada mais de uma vez, mostra a importância destas personagens, posto que as narrativas dos evangelhos tratam da vida e obra do nosso Senhor Jesus, portanto, eram aqueles que caminhavam com o Mestre, no caso os discípulos, que mais irão ser encontrados nos textos bíblicos. Mas, temos aqui a presença destas personagens que, mesmo não fazendo parte do grupo dos doze, aparecem em mais de um episódio. Respondendo à pergunta inicial o que sabemos sobre Marta e Maria, é que elas eram irmãs de Lázaro e que possivelmente Maria era a mais jovem dos irmãos  (Jo 11.1), os três irmãos estavam entre os amigos mais próximos de Jesus. Eles moravam na aldeia de Betânia.
            Vamos tratar do primeiro relato Bíblico que encontra-se em Lucas 10: 38-42.
1. A melhor escolha

"Caminhando Jesus e os seus discípulos, chegaram a um povoado, onde certa mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Maria, sua irmã, ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo-lhe a palavra. Marta, porém, estava ocupada com muito serviço. E, aproximando-se dele, perguntou: "Senhor, não te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me ajude! "Respondeu o Senhor: "Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada".   

            Temos aqui duas mulheres que diante da mesma circunstância, tomaram decisões diferentes. Como o texto nos informa, Marta recebeu em sua casa um ilustre convidado, Jesus estava de passagem pela cidade de Betânia, provavelmente a caminho de Jerusalém, posto que, como foi anteriormente informado, sempre que Jesus ia para Jerusalém, passava pela cidade de Betânia. Não resta dúvida da importância de Jesus para as irmãs, também não há dúvida quanto ao amor que ambas depositavam a seu mestre. Isso nos mostra que por mais que cristãos confessem a Cristo como seu Senhor e sinceramente declaram seu amor por Jesus, ainda sim podem tomar decisões equivocadas, acreditando está fazendo o certo, ou ainda, acreditam está agradando ao Senhor.
            Marta queria dar o melhor de si, daí se empenhou reunindo todo o seu esforço e tempo para proporcionar a melhor estadia para Jesus e seus discípulos.
            Quanto  a Maria, que estava ajudando a irmã, provavelmente deixou de lado o que estava fazendo e se assentou aos pés de Jesus, atitude esta comum àqueles que eram discípulos e estavam sendo ensinados. Esta queria aproveitar o precioso tempo que o Senhor estaria presente na casa de sua irmã, não perder uma única Palavra por Ele proferida. É notório na fala de Marta o quanto aquela situação lhe trouxe grande desagrado, a forma como se dirigiu a Jesus, Marta não só reprovava a atitude de sua irmã, como estava se sentido injustiçada. Afinal, qual era sua intensão? Acredito que era agradar ao Senhor, e talvez também quisesse o reconhecimento disto. Afinal, qual foi seu questionamento? “Senhor não te importas...” Em outras palavras. Não estas vendo a injustiça que está acontecendo? É interessante essa situação. Quantos cristãos por acharem que estão fazendo tudo certinho, acreditam que não “merecem” passar por certas circunstâncias na vida. E os levam a questionarem o próprio Deus. É uma pessoa ativa na igreja, empenhada na obra de Deus, mas o problema não é ser empenhada no serviço Cristão, o problema é substituir o Dono da obra pela obra, ou seja, focar mais no serviço. Isso pode levar a um erro maior, se deleitar mais naquilo que a igreja (denominação) oferece do que no Dono da Igreja.  
            Mas, ela foi além, disse ao Senhor o que deveria fazer. “ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me” Parece que por alguns instantes ela esqueceu com quem estava falando. Sua raiva e frustração tomaram controle. É isso que o pecado faz, ele embaça, nem que seja por um curto tempo, nossa visão de Deus. As vezes isso se prolonga na vida de cristãos, de modo que trazem a ruína, perdem a possibilidade de uma vida cristã plena, por causa de queijas, lamentos ou questões não resolvidas. (Ec 7.9, Sl 4.4) Se embaraçam em circunstâncias imprevistas, tomam decisões erradas, acreditando estarem fazendo o certo. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas... Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos...” Jr 17.9, 10 , ”Examine-se, pois, o homem a si mesmo...  ICo 11.38. É importante compreendermos que não somos infalíveis, que como Marta, apesar de ser uma boa seguidora de Cristo, alguém que amava a Jesus, precisou ser corrigida, algumas vezes necessitamos da correção do amoroso Jesus.
            Sentindo compaixão por Marta, Jesus amorosamente chama a atenção dela. A compaixão e amorosidade é claramente sentida quando Jesus diz: “Marta, Marta!” é quase um lamento, quando Ele fala por duas vezes seu nome. “... Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas...” Jesus revela a Marta e a todos nós cristãos neste registro bíblico o que realmente lhe era reprovável. Infelizmente as igrejas estão cheias de cristãos com a síndrome de Marta. Quanta inquietude!  Multidões que correm diariamente atrás do vento, mentes inquietas, corações inquietos. E por quê? Suas visões estão embaçadas. Como podemos dizer  Àquele que entregou a si mesmo a uma morte sacrificial na cruz, para nos resgatar?! “Senhor, não te importas...?”
            Isso me trás a mente o Bom Pastor que “guia-me mansamente as águas tranquilas”. Os pastores quando tinham que atravessar um rio de águas correntes, sabiam que as ovelhas que carregavam sobrepeso não tinham a menor chance de sobreviverem, estavam com muita lã, ou obesas, ou prenhas ou emaranhadas com gravetos (lixos) que se prendiam em suas lãs, precisavam serem aliviadas. Quantos cristãos estão trazendo consigo fardos, emaranhados com os problemas da vida cotidiana, sempre tentando atender as urgências e deixando para depois as que são importantes, ou inchados pelo orgulho a autoconfiança no seu conhecimento bíblico ou no seu desempenho bem sucedido na sua igreja local ou ainda desanimados e sonolentos como as ovelhas prenhas, só o bom Pastor pode aliviar o fardo.
            Vamos agora conhecer a devoção que o Senhor espera de nós através da atitude de Maria. Enquanto Marta “agitava-se” de um lado para o outro, Maria “aquedava-se” aos pés de Jesus. Vivemos em um mundo acelerado e frenético, onde as pessoas estão sempre indo e vindo de um lado para o outro, o mundo oferece uma infinidade de distrações, mesmo em tempo de pandemia, como este que estamos vivendo, onde o slogan é “fica em casa”, as pessoas estão ocupadas nas redes sociais, não encontram nenhuma dificuldade em preencher seu tempo. Mentes ocupadas e corações vazios, não é pelo acaso que vivemos uma grande epidemia de doenças psíquicas, as síndromes e depressões da vida. E essa situação não ocorre apenas com os adultos, atingem nossas crianças que estão sobrecarregadas, com tarefas escolares e tarefas extras que os pais pensando no “sucesso” futuro dos filhos, se encarregam de preencher todo o tempo destes, com as mais variadas ocupações, (aula de inglês, de informática, de natação, de robótica, de balé, judô, futebol,  aula de reforço escolar, de música...) opções infindáveis. É insano!  
“... Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa...”  Foram essas as palavras de Jesus ao ver a agitação de Marta. São estas as palavras de um Deus amoroso para cada um de nós, para todos os cristãos que estão cansados de um cotidiano atarefado, a tal ponto de não conseguirem tempo para a meditação e leitura das Sagradas escrituras, tempo para cultivar uma vida de oração, tempo para estarem nas manhãs de domingo na Escola dominical. Estão ocupados demais. O que realmente é importante? Algumas pessoas com as quais tenho conversado, me disseram o quanto estavam desapercebidas de seu caminho, envoltos em compromissos dispensáveis, dando muito mais atenção e importância a coisas secundárias e deixando de lado o primordial. Mas, foram despertadas por um evento trágico a nível global, referindo-se a pandemia.           A possibilidade real da morte, trouxe a consciência de muitos a finitude da vida, a compreensão do quanto é passageira. Portanto, devemos gastar nosso tempo com o que mais importa, como aquilo que jamais nos será tirado e permanecerá eternamente.  
“...Maria, pois escolheu a boa parte, e essa não lhe será tirada.”         
         A devoção de Maria a levou aos pés de um Deus irresistível. Como seria possível resistir a presença de Jesus? Maria não desejava está em outro lugar que não fosse aos pés de seu Senhor, nem as ocupações da vida, nem os prazeres passageiros, nem o perigo, nem a vida nem a morte, pode afastar um coração devotado da razão de sua devoção. O apóstolo Paulo inspirado pelo Espírito Santo exclama essa verdade, que nada poderá nos separar do amor de Deus (Rm 8:38,39).
            Maria ansiava pelas Palavras eternas, ouvir o Senhor era infinitamente melhor. Muitos perderam essa afeição e ânsia pela Palavra de Deus, Igrejas perderam o sentido do Culto, substituindo a leitura e o ensino das Sagradas Escrituras por “eventos divertidos”, estão mortas e não sabem.
            É interessante pensar que Marta poderia ter escolhido está aos pés de Jesus ouvindo suas Palavras eternas, como sua irmã. Que tempo desperdiçado?!  Talvez você pode está pensando que não seria difícil fazer a escolha de Maria e o quão tola foi Marta, ao se colocar naquela situação. Você imaginaria o próprio Deus na sala de sua casa? Onde você estaria, na sala ou em outro cômodo da casa? A pergunta a ser feita seria. Onde está sua Bíblia? Qual a sua aproximação com as Sagradas Escrituras? Quanto tempo você tem se dedicado a sua leitura? Ou você está muito ocupada para está aos pés do mestre? “Está escrito nos profetas: e serão todos ensinados por Deus” (João 6.45) Assim como Maria escolheu está aos pés de Deus ouvindo seu ensinamento, essa deve ser nossa escolha. Jesus nos disse “busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Mateus 6:33) Portanto, nós temos as nossas prioridades em ordem? Nós estamos preocupados com muitas coisas, ou estamos focados em Jesus? Já colocamos a nossa devoção a Cristo e à Sua palavra em primeiro lugar, ou estamos mais preocupados em fazer boas obras para impressionar outros? Como podes observar é muito mais recorrente entre pessoas cristãs errar nas suas escolhas. Nós temos sempre acertado nas nossas escolhas? Infelizmente é mais comum do que queremos admitir. Que lugar está a Palavra de Deus na nossa rotina? Quantas horas diárias reservamos para  momentos de orações e devocionais?
            Com Maria aprendemos que o amor pela Palavra de Deus é o que realmente importa em nossas vidas, e que quando temos essa “única coisa que é necessária”, o resultado não pode ser outro se não uma adoração verdadeira que derrama nossa alma perante o Senhor.
            Com Marta aprendemos que até mesmo crentes fieis e com amor sincero à Cristo, algumas vezes precisam ser corrigidos, portanto, sejamos como Marta receptíveis a correção e como Maria devotadas ao Senhor.
            E por fim temos o consolo e a segurança na resposta de Jesus àquelas mulheres, assim como a todos aqueles que estão debaixo de sua Graça, a garantia de que a boa parte “não lhe será tirada”. Em outras palavras, o próprio Jesus explicou: “E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo 10:28).

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Visual Bíblia comparada

   

      Encontrei esse visual na internet que se utiliza de alguns elementos e suas características para explicar o que a Bíblia Sagrada representa para nós. Achei Maravilhoso!!! Ideal para os nossos pequeninos. Você se utiliza de uma linguagem lúdica, de fácil compreensão utilizando o método da associação, ou seja, utiliza elementos que as crianças conhecem para explicar verdades bíblicas. Jesus fazia isso, através das parábolas, quando associava elementos (dracma, ovelha...), tarefas (colheita, pesca...), eventos (casamento...) que faziam parte do cotidiano dos seus ouvintes para trazer verdades divinas, que seria impossível compreender, senão pelo método da associação. Nas suas mensagens eram comum a utilização de elementos terrenos para trazer um vislumbre daquilo que olhos não viram, era necessário que seus ouvintes compreendessem um pouco das coisas celestiais. 

Reproduzi bem semelhante a alguns que encontrei em sites e vídeos. 









quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Caderno infantil com capa em tecido

Concluir mais um caderno decorado, mas desta vez eu utilizei tecido (tricoline 100% algodão). Eu fiz a capa acolchoada e utilizei para deixar mais fofo esse aviãozinho em mdf. 





Chamadinha em eva (trenzinho reformado)


Postei aqui no blog esta chamada da classe do maternal em 2012, acreditem ainda é a mesma, com alguns reparos é claro. Eu ia trocar esta por outra, mas, a professora disse que todas as crianças que passaram por essa turma gostavam muito deste recurso e que interagiam no momento que ela utilizava o trem para fazer a chamada. Daí resolvi salva-la, lavei, substituir algumas pecas de eva, os vagões são os mesmos só troquei a locomotiva e aí está, novinha e ainda ganhou um trilho e cerca. Essa é vantagem de se trabalhar com eva. Mas, infelizmente tenho visto cair bastante a qualidade do eva, hoje em dia tenho comprado algumas placas que a durabilidade têm sido menor. Mas, enfim a professora e as crianças ficaram felizes com novo visual do Trem e as crianças continuam se divertindo com a dinâmica deste recurso.



Painel em eva para exposição das atividades dos alunos


Mais um cartaz feito eva com o propósito de expor os trabalhinhos feitos pela nossa turminha do maternal. Eles amam colocar seu trabalhinho na fita.





A sala de nossos pequeninos está bem caprichada. Eles chegam todo domingo pela manhã muito dispostos e animados.


Painel de rotina em eva


Criei esse pequeno painel em eva para ajudar minha filha a organizar seu dia. O detalhe importante foi que montamos as horas e suas tarefas juntas. Ela mesma decidiu o que ela precisaria fazer na sua rotina diária. Mas, é claro que não há uma rigidez em segui-lo, ele é flexível. Fica aí a dica.




quinta-feira, 15 de março de 2018

SISTEMÁTICA DE AVALIAÇÃO APLICADA A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL


Observação: Iniciei esse texto para tratar a respeito de sistemática de avaliação aplicada na Escola Dominical. Implantamos na nossa Escola Dominical uma sistemática de avaliação, que têm sido aplicada com esmero pelo corpo docente. Somos gratos ao Senhor pelos frutos do empenho de cada um. Um dos resultados mais visíveis é que nossas crianças cresceram e hoje são jovens e continuam perseverando na fé. Realidade diferente de muitas igrejas que por negligenciarem a educação cristã, suas crianças ao crescerem, saem da igreja. Breve estarei publicando o restante do texto. 

SISTEMÁTICA DE AVALIAÇÃO APLICADA A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL
1.      Conceituando avaliação
  A EBD apesar de se diferenciar em muitos aspectos das escolas convencionais, ela têm como principal elemento a construção de um processo de ensino e aprendizagem assim como qualquer instituição educativa, portanto, ela precisa estabelecer métodos avaliativos que possibilitem o cumprimento do seu propósito, ou seja, o ensino da Palavra de Deus. Como podemos saber se estamos sendo eficientes no ensino das Sagradas Escrituras, se não tivermos mecanismos eficientes de averiguação do aprendizado do aluno da escola dominical. No entanto, cabe ressaltar que a avaliação de conhecimento, constitui-se em apenas um dos elementos inserido no processo de avaliação.
 Para um maior entendimento do que representa a avaliação no processo de ensino e aprendizagem, a importância que sua aplicabilidade trás para um resultado satisfatório, faz-se necessário ter previamente a compreensão conceitual do que é o ensino.
 A palavra “ensinar” vem do latim “insignare” que significa “mostrar como fazer”, observe que a expressão denota ação, tanto do educador como do educando, o aluno só aprende quando ele é ativo em seu pensamento e quando ele é estimulado a pensar e a reagir, ou seja, ele  se torna um descobridor por si mesmo. Ensinar e aprender não é meramente transmitir e receber informações, mas, é a realização e aquisição de mudanças de comportamentos, cognitivos, afetivos e sociais. O apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos capítulo 6 e verso 17 diz: “Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, vieste a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues”. Observa-se neste verso que a mensagem do Evangelho foi direcionada ao intelecto, “a forma de ensino a que foste entregue”; ao emocional, “obedecer de coração” e à vontade, ou seja, ao comportamento daqueles que ouviram o ensinamento, “vieste a obedecer”, portanto, o ensino é direcionado ao aluno como um todo, só podemos afirmar que houve aprendizagem se as verdades ensinadas alcançaram a mente, o coração e a vontade do aluno.  
 Partindo deste pressuposto podemos afirmar que a avaliação não se restringe ao ato de averiguar a quantidade de informações retidas pelo aluno.  Talvez grande parte dos docentes da escola dominical tenham a concepção de que a utilização das atividades que veem nas revistas do aluno, por si só, constitui-se em processo avaliativo, restringindo assim a concepção de avaliação a uma mera checagem de informações absolvidas pelo aluno. Mas, o processo avaliativo constitui-se em algo mais complexo e abrangente, daquilo que se convencionou nas salas de aula. A avaliação é um processo contínuo e permanente no trabalho docente, que deve acompanhar passo a passo o processo de ensino e aprendizagem, ela se dá no início, durante e no final de cada período de estudos (trimestral ou quadrimestral).  Através dela os resultados que vão sendo obtidos no decorrer do trabalho conjunto do professor e dos alunos são comparados com os objetivos propostos a fim de constatar progressos, dificuldades, e reorientar o trabalho para as correções necessárias, daí a função diagnóstica da avaliação: superar dificuldades e corrigir falhas.
            Sendo assim, avaliar é compreender até que ponto o conhecimento transmitido tem atuado de forma progressiva na mente e no coração do aluno de modo a resultar mudanças, quais os elementos impeditivos na concretização destes resultados, quais as medidas necessárias para eliminar os obstáculos e possibilitar o alcance dos objetivos propostos. Partindo deste pressuposto, entendemos que avaliar os resultados supõe também que exista uma metodologia adequada de coleta de informações que, evidentemente, precisam ser objetivas, e que, levando em conta os aspectos físicos e humanos de cada escola dominical devem ser definidos, de modo a cumprir as ordenanças de Deus. “Ajuntai o povo, os homens, as mulheres, os meninos e o estrangeiro que está dentro da vossa cidade, para que ouçam, e aprendam, e temam o Senhor, vosso Deus, e cuidem de cumprir todas as palavras desta lei; para que seus filhos que não a souberem aprendam a temer o Senhor, vosso Deus...” (Dt. 31:12,13). “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado...” (Mt. 28:19.20).  
Nosso intuito é trazer uma proposta de sistematização do processo avaliativo para nossas Escolas Bíblicas Dominicais, partindo da concepção de que o processo de avaliação está vinculado ao processo de ensino-aprendizagem, e que ignorá-lo constitui-se em fator determinante para o fracasso do ensino na escola dominical. Não podemos ensinar sem nos preocuparmos se de fato nossos alunos estão aprendendo, um professor que na sua prática docente, não utiliza nenhum tido de mecanismo para averiguação da aprendizagem de seu aluno, demonstra falta de compromisso no ministério do ensino. É melhor que não assuma tal tarefa do que a faça de forma relaxada, pois um professor da EBD não ensina simplesmente matéria, mas, ensina para a eternidade, um professor com compromisso muda o curso da eternidade de uma criança, de um jovem ou de um adulto, um professor sem compromisso com o ensino, está tirando de uma criança a oportunidade da salvação. Isso é grave! Vejam o conselho do apóstolo Paulo para o jovem Pastor Timóteo, no que concerne ao ensino. “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” (I Tm. 4:16).
A implantação de uma sistemática de avaliação nas classes da escola dominical inicia-se com a definição de seus critérios, o professor deve ter bem definido quais os aspectos que serão avaliados, assim como o aluno precisa compreender de forma objetiva no que está sendo avaliado. Antes de traçarmos estes critérios, precisamos ter a compreensão do que é avalição, pois é a partir desta conceituação que vislumbramos os critérios de avaliação para nossos alunos. Assim sendo, tendo como base aquilo que já foi discorrido podemos resumir o seguinte conceito – “Avaliar é compreender até que ponto o conhecimento transmitido tem atuado de forma progressiva na mente e no coração do aluno de modo a resultar mudanças, identificar quais os elementos impeditivos na concretização destes resultados e definir quais as medidas necessárias para eliminar os obstáculos e possibilitar o alcance dos objetivos”.
Observa-se três aspectos: checagem (averiguação), diagnóstico e tomada de decisão. Assim sendo, compreendemos que primeiro obtemos informações, estabelecemos dados, criamos instrumentos de verificação, atitudes investigativas, para sabermos se houve aprendizagem, compreensão e  consequentemente mudanças. A partir desses dados haverá a possibilidade de identificarmos elementos que dificultam ou impedem o alcance dos objetivos propostos. E, finalmente, tendo o professor conhecimento das problemáticas relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem, possibilitará ao mesmo, a tomada de decisões e o encaminhamento de medidas para solucioná-los, ou seja, superar dificuldades e corrigir falhas.

2. Estabelecendo critérios
Os critérios a serem estabelecidos estão relacionados aos objetivos, o que em primeira instância, portanto, deve ser avaliado, são os objetivos que previamente foram  estabelecidos. O que vamos analisar está relacionado a primeira parte do nosso conceito de avaliação, ou seja,  “compreender até que ponto o conhecimento transmitido tem atuado de forma progressiva na mente e no coração do aluno de modo a resultar mudanças”

2.1.            O que eu pretendo alcançar? Quais os meus objetivos?
No processo de ensino a avaliação sempre se justifica em função dos objetivos previstos, os quais vão nortear o processo de ensino-aprendizagem, que se define o que eu quero que meus alunos saibam, sintam e façam. Os objetivos de uma lição constitui-se na base da construção do conhecimento. É a partir deles, que o professor delineia todo seu planejamento, portanto, o primeiro ponto a considerar na avaliação é o alcance destes objetivos.  
 Apesar das revistas editadas para as escolas dominicais, trazerem já definidos os objetivos para cada lição, é imprescindível que cada professor faça uma adequação destes, levando em conta as especificidades de sua classe, posto que, aquilo que é essencial para um grupo de alunos, não será da mesma maneira essencial para outros. Sugiro que estes objetivos tenham como fim responder as três questões já citadas anteriormente.
 Sendo assim, temos definido o primeiro critério de avaliação que o professor deve basear-se no planejamento de sua sistemática avaliativa.  
2.1.1.  Primeiro, o que eu quero que meus alunos saibam, este está relacionado ao intelecto, a memória dos alunos, quais as informações que desejo que fiquem retidas em suas mentes. Este, talvez seja, o aspecto mais “fácil” de ser avaliado, tendo muitas possibilidades de averiguação.
 Um professor pode verificar o quanto seus alunos assimilaram das verdades por ele apresentadas através de perguntas orais, dinâmicas e brincadeiras, jogos educativos e testes escritos. Utilizo todos, não numa única aula, posto que, isto é humanamente impossível, mas, a variação traz mais dinamismo para as aulas, as tornam mais interessantes. As atividades lúdicas por exemplo é um recurso didático muito eficiente, principalmente nas classes infantis, possibilitam situações em que haja uma interação maior entre os alunos e o professor numa aula diferente e criativa, sem ser rotineira. Através das atividades lúdicas o aluno acaba sendo desafiado a produzir e oferecer soluções às situações-problemas apresentadas pelo professor através de jogos, brincadeiras e dinâmicas. Esse tipo de atividade constitui-se numa excelente oportunidade do professor fazer um diagnóstico da aprendizagem dos alunos, rever conceitos e projetar alvos.
Verificar o quanto o aluno reteve daquilo que foi apresentado na aula, das informações que lhes foram repassadas, pode ser feita de muitas maneiras, como já foi citado; inclusive, também fazendo uso das atividades que são oferecidas nas próprias revistas do aluno. Pretendo ressaltar aqui dois aspectos, primeiro é que esta checagem, deve fazer parte do plano de aula de cada domingo, ou seja, todos os domingos o professor deve usar alguns minutos do seu tempo com seus alunos, utilizando-se de recursos variados para avaliar o aprendizado, sendo que, também, todas as vezes que o professor avalia o quanto seus alunos aprenderam, ele também estará avaliando, o quanto seu desempenho na aula foi eficiente, portanto, neste aspecto o professor deve criar momentos de averiguação do conhecimento, tornando-os dinâmicos e significativos e principalmente parte da rotina da aula. O segundo aspecto é que quando se fala de avaliação muitos autores falam da avaliação formativa e somativa, não pretendo aprofundar-me nesta questão, mas esclarecer que esta checagem de conhecimento ela pode ser feita das duas formas. Quando afirma-se que a avaliação deve ser contínua, estou me referindo a avaliação formativa, ou seja, todos os momentos de interação que ocorre na sala de aula, seja, através de atividades dialogadas, escritas, dinâmicas, perguntas e questionamentos, está-se garantindo a oportunidade de avaliar vários aspectos.  Aqui o professor é um observador, é a partir dessa observação que o professor fará “juízo de valores” quanto a evolução e crescimento de seus alunos. A partir do momento que se resolve registrar, valorar, alguns aspectos do aluno e seu aprendizado, temos aí o aspecto somativo, que necessariamente não precisa ser numérico, pode ser conceitual, ou seja, ao final de um programa de ensino define-se um conceito ou uma nota. Essa é a forma convencional utilizada nas redes públicas de ensino ou instituições educacionais. Na escola dominical de minha igreja incentivamos a aplicação tanto da avaliação formativa, quanto da avaliação somativa, sendo que esta última iremos falar mais adiante, trazendo algumas sugestões.
Ainda relacionado ao aspecto cognitivo, ou seja, a memória do aluno, quero fazer referência a memorização de versículos, uma prática tão importante, mas, que vem sendo abandonada nas nossas escolas dominicais. A memorização de versículos deve ser incentivada, precisamos incutir na mente de nossos alunos a Palavra de Deus, mesmo que as vezes, eles não venham a compreender hoje na sua totalidade, mas, o Espírito Santo poderá vir a esclarecer nas suas mentes futuramente. Não podemos negligenciar o ensino das Sagradas Escrituras, mesmo porque, eles são bombardeados diariamente com a filosofia do mundo, que é acima de tudo anticristã, os desenhos animados, por exemplo, aparentemente inofensivos, são os mais eficientes canais condutores desta filosofia maléfica, se vê claramente o ateísmo, o misticismo, o ocultismo, o panteísmo na essência das animações, seus heróis são autossuficientes, poderosos em si mesmo, quem são os heróis de nossas crianças? Homem-aranha, Super-men, Bátima, ou é Jesus? Infelizmente, crianças de nossas igrejas, falam, brincam e vestem esses personagens. Os pais compram fantasias, máscaras e brinquedos destes personagens, eles assistem repetidamente os mesmos desenhos, observa-se que nunca é menciona, ou se faz alguma referência a Deus, em nenhum desenho animado. A mente de nossas crianças devem estar saturadas com as Sagradas Escrituras, de modo que sejam blindados contra a filosofia do mundo.   “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.” (II Tm.3: 14 e 15)  
Sam Doherty em seu livro “Os princípios do Ensino” afirma que ao ensinar uma criança, as lições não devem ser estudadas apenas uma vez, pois, o que for visto repetidamente, se tornará parte do conhecimento de alguém, e será permanentemente relembrado e utilizado. Ele, ainda, traz o seguinte relato de Charles Spurgeon.
“Charles Spurgeon contou a história de uma visita que ele fez quando menino ao seu avô fazendeiro. Ele olhava seu avô trabalhar nos campos e estava especialmente interessado em ver seu método de plantar ervilhas. Em cada buraco cavado na terra, o avô colocava três ervilhas. Isso deixou o jovem Charles curioso, e perguntou ao seu avô porque ele devia colocar três ervilhas em cada buraco, quando esperava que apenas uma delas crescesse! Não era desperdício?
Seu avô respondeu: __ Uma ervilha é para os pássaros; uma é para as minhocas e a terceira irá crescer.
Quando Charles Spurgeon falou aos seus professores de Escola Bíblica, ele aplicou esta verdade a eles. Ele disse que eles precisavam semear verdades inúmeras vezes. Uma “semente” pode ser removida pelos “pássaros do céu” Satanás atrapalha constantemente as crianças de ouvirem e compreenderem a verdade de Deus. Uma semente pode ser devorada por “minhocas”. A fragilidade da mente humana faz com que ela vagueie e não aprenda o que acaba de ser apresentado. A terceira semente é a verdade que é recebida, compreendida e que crescerá.”
Não estou aqui defendendo que o professor têm que dar por vários domingos a mesma lição, mas, o que quero ressaltar é a importância de estar revendo as verdades ensinadas nas lições por várias vezes, desafiando nossos alunos a aplicarem em suas vidas as verdades bíblicas. A prática constante de rever lições, possibilita ao professor avaliar o quanto seu aluno tem compreendido daquilo que foi ensinado. Sempre antes de iniciar uma nova lição eu sempre faço uma revisão da lição anterior, e geralmente utilizo algumas atividades lúdicas para tornar esse momento mais interessante. 

Listas de Verificação ou Lista de Checkagem

Temos aqui alguns modelos que foram utilizados nas nossas classes da EBD. Dependendo dos objetivos estabelecidos os professores definem os critérios a serem avaliados. Levando-se em conta também a faixa etária da turma.


Este modelo foi utilizado na classe do Jardim de Infância (4 e 5 anos). Correspondem a 16 lições, daí constarem dezesseis espaços. A professora definiu neste quadrimestre apenas três aspectos: a frequência, a participação dos alunos do decorrer das aulas e as tarefas de casa. De acordo com o resultado de cada domingo, o aluno recebe um carimbo no espaço, constando a data.  Essas fichas são entregues aos responsáveis, juntamente com todos os trabalhinhos no dia do plantão pedagógico da EBD.


Esta ficha foi utilizada na classe dos juvenis (9, 10 e 11 anos). Observem que aqui a professora utilizou os critérios de acordo com os projetos que ela desenvolveu com a turma, além daqueles que é levado em conta nas nossas turmas como a frequência, as tarefas para casa, ela acrescentou leitura bíblica que é proposta pela própria revista, versículos para memorização e testes de conhecimento. Ela ainda estabeleceu para contar na avaliação do aluno o fato destes terem zelo com suas revistas e não deixarem de trazer suas Bíblias para a classe. E como nota extra a participação e desafio da semana. Todos esses critérios foram definidos a partir dos objetivos, assim como um diagnóstico prévio da turma.





Essas fichas foram utilizados na classe do maternal. Cada uma delas trás um aspecto a ser avaliado, nos espaços são coladas figuras (exemplo a ficha referente a frequência, é colado uma estrela). No final do quadrimestre, todas as fichas, assim como, os trabalhinhos ganham uma bonita capa e são entregues individualmente a cada aluno.



Temos aqui dois modelos de ficha individual de avaliação que foram utilizadas na classe dos adolescentes.